mostra itinerante Rua Cinema Nosso

A mostra é de caráter não competitivo, na medida em que privilegia nesta primeira edição a diversidade como tema. Diversidade geracional com filmes desde a década de 1960 até produções de 2012; diversidade de formatos e linguagens, com curtas, médias e longas metragens distribuídos em ficções, documentários e animações; de gênero, com filmes realizados por diretoras e diretores, totalizando 44 obras.

Organizadas com filmes que dialogam em suas mensagens e estéticas, serão 12 sessões ao ar livre ocupando-se espaços públicos – muitos em estado de abandono e degradação – sempre às quintas-feiras a partir das 19h com duração máxima de 120 minutos. O objetivo é fisiologizar as projeções dentro da dinâmica cotidiana, de modo que o cinema seja não apenas local de encontro marcado, mas também do acaso, pegando de surpresa cidadãos que talvez estejam voltando para casa após o labor, por exemplo. Tipo de situação que parece cada vez mais rara, tanto pela lógica em que a cidade-funcional-setorizada foi construída, quanto pelo modelo de vida urbano contemporâneo em que os percursos diários são regidos e determinados pelo tempo e pelo trabalho, em detrimento das vontades.

As sessões disponibilizarão uma média de 200 cadeiras por sessão, com projeção em tela de 6mx3m. A primeira ocorrerá na praça das fontes entre o Conjunto Nacional e o Teatro Nacional, no centro do Plano-Piloto, local de trânsito diário de milhares de pessoas e ao mesmo tempo de pouco uso enquanto equipamento cultural. Após, a mostra perambula durante três meses por outras 10 regiões administrativas e ainda Vila Telebrasília, incluída na R.A. do Plano-Piloto, encerrando-se ao fim de setembro em Taguatinga, na Praça do Relógio.

Ao utilizarmos espaços públicos centrais e em horários de pico, torna-se tarefa difícil estimar o número de espectadores e espectadoras. Haverá certamente além do público sentado, perfis transeuntes e dispersos, trazendo outro tipo de projeção cinematográfica enquanto experiência vivida, talvez comum apenas aos “cinemas voadores”, tal como o Rua Cinema Nosso, que pretende seguir voando nos próximos anos para muito além do avião de Lúcio e Oscar, atentando para as localidades ao redor do centro da capital, onde Brasília também se faz, se constrói, se identifica e se sonha.

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